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Botucatu, segunda-feira, 20 de abril de 2026 Telefone (14) 3811-1400

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Memórias de um jovem imigrante

Olimac (Publicado originalmente na Folha de Botucatu em 13 de setembro de 1947)

1899

 

Ainda meninote fui morar, com meus pais, na Fazenda Salto Alto do Lageado. Aquilo para mim era, naquela época, apenas encanto, poesia, maravilhas. Recordo-me muito bem... Naquele dia, 1º de fevereiro, um carro de boi nos levou à Fazenda. A travessa do carro era de taquaras trançadas, com "fueiros" de madeira amarrados com tentos de couro. Uma vez na sede da Fazenda veio ao nosso encontro o administrador de nome Rafael Coutrim que designou ao carreiro Galvão Severino, a morada que nos cabia, à beira do riacho, adentrando uma capoeira rala. Como fosse a festiva véspera da festa de Nossa Senhora das Candeias, que então se comemorava alegremente na roça, o carreiro convidou-me para assistir em sua casa, à reza, baile e batuque. Fui, de bom grado. A casa de barro, coberta de sapé, aparecia então toda enfeitada de bandeirinhas de papel multicor. A esposa do carreiro, dona Sátira, recebia os convidados e designava seus lugares. Era uma preta alta, risonha, dentes brancos como a neve que eu vira há poucos meses nos contrafortes dos Apeninos. Deixava de receber os convidados para correr ao pilão e socar o café, que dentro em pouco haveria de servir aos presentes. O mais festejado dos recém-vindos foi o sanfonista Isaías Silvestre, também de cor, alto, magro, usando um cavanhaque agressivo e difícil de entender pôr ser completamente gago. Pareceu-me extraordinariamente orgulhoso de sua sanfona oito baixos. Era oito horas quando o baile teve início.

Uma hora mais tarde, o preto Serafim Rodrigues, batendo palmas no meio da sala, convidou os dançarinos para a quadrilhas: "par prá gerá – par prá gerá". Lembro-me, fielmente, do entusiasmo do marcador, estropiando horrivelmente a terminologia francesa da dança: "Anavandê – travecê – balancê" e, depois de uma pausa "travecê, outra veis, balancê, tô ô".

Enquanto apreciava o andamento da quadrilha, pude enxergar da porta, a chegada do preto Euzébio da Rocha que sobraçava um grande tambor e vinha acompanhado dos pretos Marcolino, Francisco, Chico, Ricardo e outros, cada qual acompanhado, à distância, pela dama respectiva, pôr nomes Prudência, Izabel, Izaltina, Nhaná, Benvinda e outras.

Num dos cantos do terreiro, o dono da casa havia preparado enorme fogueira, onde logo mais o Euzébio foi aquecer o seu tambor. Quando o couro ressecado respondeu com um som todo especial às suas batidas insistentes, ele gritou para os demais: "tá tinino" e batia de novo: bum... bum... bum...e, então, logo o Benedito Roxo, o Chico Ricardo, ensaiando os primeiros passos da dança, puseram-se a cantar:

"A tinga maringa

Foi linda e donzela

Morreu em Campina

Da febre amarela..."

A cantiga era repetida muitas vezes, sempre mais forte, pois o número de batuqueiros aumentava a cada momento. De tempos em tempos o Severino aparecia com um garrafão de pinga e uma tigelinha de ferro, a distribuir aguardente para os homens, enquanto sua esposa oferecia café às mulheres. Logo em seguida, a uns e outros, nhô Bastião e a negra Enriqueta ofereciam fatias de pão com manteiga. Terminando de beber e comer, reiniciavam-se as danças e os cantos. Na sala do casebre dançavam-se polcas e outras danças, enquanto no terreiro alternavam-se canções em conjunto com batucadas.

No meio da madrugada o sanfoneiro, tocado pelos vapores da pinga somente tocava uma das modas já ouvidas "pumba... pumba... pumba... pá ..." No terreiro reinava idêntico entusiasmo e o velho Euzébio, percutindo o seu tambor, cantava: "Eh... eh... eh! istrela Darva tá... aí... eh... eh!...istrela Darva taí,,,".

Ao amanhecer, os pretos que não batucavam e passaram a noite ajoelhados ou sentados ao pé do fogo, apareceram estranhamente cobertos pôr uma fina camada das fagulhas de cinza da fogueira quase extinta. Ao romper do sol, nhá Sátira passou pôr todos uma última bandejada de café com pão e manteiga e, logo a seguir, os já servidos foram se retirando, agradecendo ao dono da casa e "salvando" a santa do dia N.S. das Candeias, cuja festa os deixava em casa, longe do serviço do eito....

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